Para me despedir, um conto!

20/04/2009 at 6:20 pm 4 comentários

Queridos leitores e leitoras,
 
Foi um prazer estar por aqui nas últimas semanas e meu “prazo” está encerrando… assim, este é o último post – até eu voltar, porque eu nunca nego convite bom. Então, para me despedir de vocês, deixo um conto inédito, que vou publicar no meu blog somente daqui a alguns dias. E para compensar a “maldade” do conto de Páscoa,
desta vez eu coloco o conto inteiro para vocês.
 
Quem quiser ler mais contos meus e me conhecer, estou esperando no meu site –
www.fernandafranca.com. Foi um prazer estar com vocês aqui durante este tempo! Espero que curtam o conto.

 
Grande beijo,
Fernanda.
www.fernandafranca.com

———————————————

O dia do trabalho de Rúbia

 
Eu não acredito que tenho que trabalhar bem no dia do trabalho. Tudo bem que o dia é do trabalho, mas é feriado e podia estar na casa da praia. Não, da praia não porque praia me lembra o ex-marido e a essa altura o desgraçado deve estar lá com a nova esposa. E se estiver é problema deles, não é? Estou aqui trabalhando no meu escritório em casa, acabando uma tradução para um prazo que encerra amanhã. E não importa que é feriado, porque, oras, em alguma parte do mundo hoje não é feriado.
 
Login: rubia1970
Senha: luizito
 
Bem-vindo(o) ao bate-papo.
Digite seu nome: Rúbia Salmão
Sala: 35 a 45 anos
Estado: São Paulo
 
Acabei escolhendo a cidade onde moro, droga. Eu deveria escolher algum lugar bem longe daqui ou vou acabar encontrando no mundo virtual com quem não quero nem ver na vida real. E ainda por cima com o sobrenome do Luizito. Preciso trocar essa senha, preciso trocar todos os meus documentos que estão com o sobrenome que não é meu, era só dele e eu não quero como presente.
 
Mensagem particular de Cupido carente: Olá, sereia.
Rúbia Salmão: Que cantada barata.
 
O pior era ter de aguentar as piadinhas infames sobre o sobrenome de peixe que eu resolvi adotar. Onde eu estava com a cabeça quando decidi, por livre e espontânea vontade, colocar no meu lindo nome o sobrenome do Luizito? Não passaram nem três anos, os documentos estão recém-tirados e lá vou eu tirar tudo de novo. Por isso não fiz isso até hoje e desde que o traste foi embora eu só mostro o RG velho, aquele com foto do cabelinho curto e fita no cabelo quando eu tinha 16 anos.
 
Cupido carente: Sereia, está aí?
Rúbia Salmão: Estou.
Cupido carente: Como passou o feriado?
Rúbia Salmão: Não tive feriado, estou trabalhando.
Cupido carente: Agora não mais, está conversando comigo 🙂
Rúbia Salmão: Certo, estou conversando com vc.
Cupido carente: Vc tem o nome da minha primeira namorada.
Rúbia Salmão: É a segunda cantada pronta de hj.
Cupido carente: É sério, mas tudo bem…
Rúbia Salmão: Como vc se chama?
Cupido carente: Pode me chamar de cupido apaixonado.
Rúbia Salmão: Sei, e pq?
Cupido carente: Eu ajudo os amigos a se darem bem, mas ainda não encontrei a pessoa certa. 😦
 
Alguém pode me explicar por que eu só atraio cara maluco pra minha vida? Entre conversar com esse doido e acabar a tradução, eu deveria escolher a segunda opção, mas decidi me divertir um pouco mais.
 
Rúbia Salmão: Além de ajudar os amigos a encontrarem namoradas, o q vc faz na vida?
Cupido carente: Trabalho no dia do trabalho, como vc.
Rúbia Salmão: Que bom, somos dois 🙂
Cupido carente: Estou preparando provas.
Rúbia Salmão: Vc é professor?
Cupido carente: De física.
Rúbia Salmão: Coitado (risos)
Cupido carente: Todo mundo diz isso… mas eu posso te provar que física é bem legal
Rúbia Salmão: Prefiro que vc me mostre outras coisas legais.
Cupido carente: Que tal meus dotes culinários?
 
Essa foi boa, um homem que cozinha era tudo de que eu precisava. Ainda mais depois do Luizito, que não cozinhava, não lavava e ainda deixava uma pilha de louça em cima da pia. Muita louça e garrafas de cerveja vazias.
 
Rúbia Salmão: Acho um bom prato de comida bem melhor do que estudar física.
Cupido carente: Depois de experimentar minha lasanha, vc seria capaz de assistir a uma aula sobre a força de atração entre os corpos?
Rúbia Salmão: (Risos)
 
TRIM
 
Rúbia Salmão: Um momento, telefone.
 
– Oi, Nanda!
– Rúbia, está ocupada?
– Estou num chat com um cara. Boa diversão para um feriado.
– Voltou à adolescência?
– Acho que voltei.
– E qual o nome dele?
– Cupido apaixonado.
 
Depois de muitos risos e algumas piadas, combinamos de almoçar juntas no dia seguinte.
 
Cupido carente: Kd vc, sereia?
Rúbia Salmão: Aqui, voltei. Não me chama de sereia, não, por favor. Esse sobrenome nem é meu.
Cupido carente: Está mentindo na rede?
Rúbia Salmão: Todos mentem na rede.
Cupido carente: Eu não minto.
Rúbia Salmão: Vc não mente pq não disse seu nome.
Cupido carente: Sou Pedro e moro perto da escola São José. Trabalho lá.
Rúbia Salmão: Nossa, deu o relatório completo. Não tem medo de eu ser uma maluca?
Cupido carente: Eu teria descoberto se vc é maluca… vc disse que não gosta de física, então é uma pessoa normal.
Rúbia Salmão: (risos) E vc tem o nome do meu primeiro namorado.
Cupido carente: Agora vc quem resolveu usar a tática da cantada pronta.
 
Mas não era cantada. Nem da minha parte, nem da dele. Depois de uma conversa que durou duas horas e quarenta e cinco minutos, desconectamos do bate-papo e falamos ao telefone. Conversamos mais duas horas e combinamos de nos encontrar em um restaurante perto da escola. Desmarquei o almoço com a Nanda e fui almoçar com um desconhecido. Bom, não era exatamente um desconhecido.
 
Não foi tão fácil descobrir de onde nos conhecíamos, mas não foi difícil perceber que não éramos completos estranhos. Aquela voz, aquele jeito de colocar a mão no cabelo e até a risada eram iguais ao jeito que ele tinha aos 17 anos e quando eu era um ano mais nova. Foram cinco meses de namoro, eu jurava que nunca mais iria amar ninguém como o Pedro, mas os pais dele se separaram, ele mudou de cidade e não nos vimos mais. Não existia internet na época.
 
Ele casou, separou, voltou, eu casei, mudei, separei, voltei e nos encontramos no chat da nossa cidade. A lasanha que ele prepara é realmente boa, a lição sobre física eu não quis, apenas ficamos com a prática da atração dos corpos. Foram dois anos morando juntos até que ele propôs casamento. Eu não tinha a menor vontade de casar novamente, mas de repente mudei de ideia, nós adotamos uma linda menina e casamos no civil. Foi quando eu mudei de nome. Não adotei o nome do novo marido, só voltei a ser quem eu era, quem ele me conheceu, quando eu ainda tirava fotos de fita no cabelo. E acabei de uma vez com o Salmão, mas meu cupido, que não é mais carente, ainda me chama de sereia.

 

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4 Comentários Add your own

  • 1.  |  21/04/2009 às 3:26 am

    Fia, você sabe que conheco meu esposo na net.
    Naquele tempo era o “mIRC” … rsrs
    Legal seu conto.
    beijos, Jê

    Responder
  • 2. sonia sousa  |  21/04/2009 às 9:05 am

    uma linda história de amor

    Responder
  • 3. Fê França  |  21/04/2009 às 9:44 am

    Obrigada, queridas… tem um tanto de “verdade” aí porque muita gente passa por isso, mas a história é apenas um conto ficcional mesmo. Jê, eu também usava mIRC, rsrsrsrsrsrsrsrs!!!! Beijos, Fê.

    Responder
  • 4. Natasha  |  21/04/2009 às 11:28 am

    Amei o conto Fê!
    E sua participação mais ainda!

    Beijosss, Nat

    Responder

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